Theodor Koch Grunberg, nascido na Alemanha (Oberhessen) em 9 de abril de 1872, e falecido aos 52 anos no Brasil (Rio Branco), no dia 8 de outubro de 1924, após haver contraído malária numa expedição, foi um grande etnólogo e explorador da América do Sul, em especial das fronteiras do Brasil, Venezuela e Guiana Inglesa.
Viajou várias vezes pelo Brasil, a primeira delas em 1896, como membro da expedição liderada por Hermann Meyer, que buscava alcançar a foz do Rio Xingu. Entre 1903 e 1905 explorou o Rio Japurá e o Rio Negro, chegando até a fronteira da Venezuela. Essa viagem está documentada e ilustrada com inúmeras fotografias nos dois volumes da obra Zwei Jahre Unter Den Indianern. Reisen in Nord West Brasilien, 1903-1905. (Dois anos entre os índios. Viagens no noroeste do Brasil, 1903-1905). Sua segunda expedição importante começou em 1911, partindo de Manaus até o Rio Branco e de lá para a Venezuela. Em 1913 chegou ao Rio Orinoco depois de explorar nesse percurso, a pé e de canoa, várias regiões ainda hoje de difícil acesso. Ao voltar a Manaus, escreveu seu livro mais importante, Vom Roraima Zum Orinoco (De Roraima ao Orinoco), publicado em 1917.
Sua contribuição é fundamental para o estudo dos povos indígenas da Amazônia, seus mitos e suas lendas. Suas observações e relatos de viagem constituem uma importante fonte para a antropologia, a etnologia e a história indígena. Os mitos transcritos por Koch-Grunberg também foram utilizados por Mário de Andrade no seu Macunaíma – o herói sem nenhum caráter (1928), que transcreveu, às vezes literalmente, as narrativas registradas pelo etnólogo ao narrar muitos dos episódios vividos por Macunaíma e por outros personagens desse romance marco do modernismo brasileiro.